2008-07-01

ASSIM ENVELHECEM OS LIVROS TÉCNICOS

(O que chamar de teoria?)

Hoje, com o advento dos programas de edição relativamente simples de serem instalados em qualquer PC, abrem-se inúmeras possibilidades de experimentação, exercícios e oportunidades de utilização de variados tipos de imagem. Não cansem de experimentar. Proponham-se a construir uma narrativa e desconstruí-la.

Não deixem de conhecer sempre como começaram os pioneiros da técnica, e os valores em transformação: sejam culturais, estéticos, dramáticos.

Nem tudo que está na moda é necessariamente duradouro em arte, muitas das vezes é passageiro. Tentem reconhecer o que é definitivo no sentido de obra-prima, um trabalho constante de observação e estudo.

Um texto de 1929 pode tratar de coisas que parecem banais hoje, mas alguém há 80 anos atrás percebeu uma estrutura importante para uma arte que nascia naquele momento. (Einsestein)Podemos escrever hoje algo que irah durar como informação para daqui a 80 anos?

“…Agora a chegada das câmeras de vídeo digitais baratas e leves, do software de edição digital baseado em PCs, e da distribuição de streaming vídeo na Internet, colocam-se recursos necessários para fazer cinema à disposição de uma gama igualmente grande de cidadãos, ampliando o potencial de criatividade para as bases.(…) No passado, os filmes amadores jamais chegavam às grandes salas de cinema. Mas o cinema digital está respondendo ao desafio da distribuição em diversos níveis: nos portais comerciais, sedentos pelo produto, que já colocaram centenas de filmes em seus sites, em várias redes mais especializadas, subculturais ou de fãs, ou em sites montados por cineastas especificamente para exibir seu trabalho. (…)
Mas toda a forma de arte precisa de espaço para as pessoas assumirem riscos e cometerem enganos. Não poderemos ter um grande cinema se não houver algum lugar onde os principiantes possam começar por fazer cinema horrível; e, enquanto isso, os filmes digitais são mais ousados e originais do que qualquer coisa que se pode ver a muito tempo na tela grande.” Como explicou Coppola no documentário Hearts of Darkness: A Filmmaker’s Apocalypse : “Para mim, a grande esperança é que, agora que estão saindo câmeras de vídeo de oito milímetros, pessoas que normalmente não fariam filmes, irão fazê-los. E que algum dia uma garotinha em Ohio vire a nova Mozart e faça um belo filme com a camcorder de seu pai. O chamado profissionalismo do cinema será destruído, e o cinema realmente se tornará uma forma de arte.”

Henry Jenkins Technology Review ago 2001.
Diretor Programa Estudos Comparativos de Mídia do MIT

4 comentários:

ANG disse...

Será que nesse país a popularização do digital não vai acabar gerando duas castas para o cinema: profisionais detentores do melhor conhecimento (melhor cotados, dominando o saber) e cinemeiros (equivalente a micreiros - o importante é conseguir, não reunir conhecimento para e com cinema; por isso subestimados)?

Tomara que não. Tomara que ressurjam no Brasil cada vez mais desbravadores, gente como Abel Ferrara, José Mojica Marins, Sergei Mikhailovich Eisenstein, Glauber Rocha. Pessoas que trazem uma contribuição toda especial pra arte, com um fazer que não depende de academicismo.

É indiscutivelmente importante a formação e o estudar contínuo, mas às vezes tem gente que esquece que há vida inteligente fora das universidades.

A facilitação, digamos, do fazer cinema, pode trazer surpesas inesperadas. Que venham!

Regina Dias disse...

Creio que você entendeu o contrario. Esse texto fala da não discriminação pelo acesso as medias e aos softwares. Não exalta o academicismo e sim a pratica de todos, democraticamente. Nem é meu, é o Coppola falando...Consiga o making of do Apocalipse e talvez ele dizendo fique mais claro.

Quando sugiro estudar, não é necessariamente na escola ou na uviversidade, é estudar as tendencias , ver muitos filmes, entrar em grupos de estudo.

Eu particularmente que fiz ECA nos anos dourados, creio que a escola da maneira que conhecemos, faliu!

Um grupo interessado e produtivo, acompanhando o que acontece de novo, pode ser melhor e mais interessante.

abs

ANG disse...

Entendi bem o que vc disse. Só quis alargar um pouco a discussão que vc acaba propondo (não por faltar coisa no texto, mas por ela abrir oportunidade).

Percebi que vc não mencionou academicismo, e que ao invés de ficar só no oposto dele, é democratica a sugerir como lidar com o conhecimento.

Somos partidários da mesma coisa. Só pensei sobre seu texto e olhei para os discordantes do/temerosos com o digital. Estes são plenamente incoerentes? Por isso fui pelo medo deles.

"Um grupo interessado e produtivo, acompanhando o que acontece de novo, pode ser melhor e mais interessante." Concordo.

Se não fui claro o suficiente (e acho que não fui, visto sua resposta ao meu comentário), também digo que concordo pacas com o que vc disse no post.

Abs

ღjullybrasil disse...

ola amigo parabens pelo blog ta afim de fazer parceria com troca de links.